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Um sim que se transforma em missão

há 1 dia
4 min de leitura

Atualizado: há 6 horas



Meu nome é Raphaela Aparecida, sou moradora de Novo Gama, Goiás, e faço parte da Paróquia Nossa Senhora Imaculada Conceição.

Quando olho para minha caminhada na Pastoral do Empreendedor, percebo que tudo começou muito antes de imaginar que um dia estaria à frente dessa missão.

Em 2024, nossa paróquia recebeu o Frei Marcos. Pouco depois, ele, juntamente com o Frei Rogério, trouxe para nossa comunidade a Pastoral do Empreendedor. No dia 26 de janeiro de 2024, participamos da primeira Santa Missa do Empreendedor. Aquela celebração marcou profundamente meu coração. Pela primeira vez, contemplei uma Igreja que dizia aos empreendedores: “Nós também queremos cuidar de vocês”.

O empreendedor passa grande parte da vida cuidando do negócio, dos funcionários, dos clientes, da família, das contas e dos sonhos. Mas quem cuida de quem cuida?

Naquela Missa compreendi que a Pastoral vinha justamente para olhar para a pessoa que existe por trás do empreendimento. A bênção da luz, naquele dia, foi um momento tão sublime que senti meu coração dizer sim à Pastoral. Comecei minha caminhada como membro, sem imaginar o que Deus ainda prepararia.

Com o tempo, as atividades diminuíram e chegamos a ficar cerca de seis meses sem celebrar a Missa do Empreendedor. Aquilo me inquietou. Eu olhava para a imagem de Nossa Senhora, parada em um cantinho da sacristia, e pensava que ela precisava sair dali e ir ao encontro das pessoas.

Procurei a coordenadora e perguntei se poderia levar Nossa Senhora aos comércios e ajudar a organizar novamente as Missas. Comecei a promover as visitas da imagem peregrina, organizar as celebrações e convidar as pessoas. Na primeira Missa que organizei depois daquele período, tivemos quase 130 pessoas na igreja.

Naquele momento, percebi que havia uma necessidade. As pessoas queriam sentir que a Igreja estava perto delas também em sua vida profissional, em seus negócios, dificuldades e sonhos. Aprendi, ainda mais, que antes de enxergarmos o CNPJ, precisamos enxergar a pessoa que existe por trás dele.

No dia 31 de março de 2025, recebi do Frei Marcos o convite para assumir a coordenação da Pastoral do Empreendedor. Disse sim com alegria, mas também com muitas dúvidas. Nunca havia coordenado uma pastoral e não tinha todas as respostas. Mas sabia que queria cuidar, estar perto daqueles que muitas vezes se sentem distantes da Igreja e mostrar que existe um lugar para o empreendedor dentro da comunidade.

Comecei a visitar os estabelecimentos, levar Nossa Senhora, organizar as Missas, rezar, escutar e, principalmente, estar presente. Aos poucos, compreendi que coordenar a Pastoral não significava apenas organizar atividades. Significava entrar na vida das pessoas com respeito, acolhimento e oração, mostrando que Deus também está presente no mundo do trabalho e dos negócios.

Hoje, essa missão começa a ultrapassar os limites de nossa paróquia. Formamos uma nova equipe e iniciamos a expansão da Pastoral na Diocese de Luziânia. Atualmente, também estamos presentes na Paróquia São João Batista, no Pedregal, em Novo Gama.

Tive ainda a oportunidade de apresentar nossa caminhada ao bispo, Dom Francisco Agamenilton, que nos recebeu com abertura e acolheu a Pastoral em nossa Diocese. E estamos nos preparando para um novo momento: no dia 18 de outubro, celebraremos a primeira Santa Missa do Empreendedor em âmbito diocesano, na Catedral do Divino Espírito Santo, em Luziânia.

Quando penso em tudo isso, confesso que não consigo explicar completamente o que sinto. Eu amo essa missão porque, através dela, posso levar Jesus, Nossa Senhora, oração, acolhimento e esperança às pessoas. Faço isso nas redes sociais, nas Missas, nas visitas aos comércios, nas orações e, muitas vezes, simplesmente através de uma conversa ou de uma escuta.

Um dos momentos mais especiais é quando chegamos com a imagem de Nossa Senhora a um comércio e alguém diz: “Nossa, como eu precisava receber a Mãezinha hoje!” Nesse instante, entendo que não fui apenas levar uma imagem. Fui instrumento para que uma mãe chegasse até um filho que precisava dela.

Ainda estou aprendendo. Tenho limitações, cometo erros e sei que temos muito a crescer. Mas existe algo que procuro oferecer todos os dias: o meu sim. Um sim que começou naquela primeira Missa, em janeiro de 2024, e que ganhou ainda mais responsabilidade quando aceitei a coordenação. Hoje compreendo que Deus não me chamou para ter todas as respostas antes de começar. Ele me chamou para servir.

Se pudesse resumir o que a Pastoral do Empreendedor representa para mim, diria: é a Igreja saindo de suas portas para encontrar seus filhos onde eles trabalham, sonham, lutam, caem, recomeçam e constroem suas histórias. É dizer a cada empreendedor: “Você não está sozinho. A Igreja se importa com você. Deus também está no seu trabalho, no seu negócio, nos seus projetos e nas suas lutas”.

Por isso, enquanto Deus me permitir, quero continuar dizendo: Eis-me aqui, Senhor. Ainda estou aprendendo, mas meu coração está disponível. Usa-me para cuidar daqueles que também cuidam de tantos.

Esse é o meu testemunho. Esse é o meu sim. E essa é uma missão que carrego não apenas nas mãos, mas nas entranhas da minha alma.


Raphaela Aparecida

Coordenadora de Núcleo da Pastoral do Empreendedor – Novo Gama/GO

Diocese de Luziânia

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